domingo, 20 de maio de 2018

Acabou o intercâmbio estudantil? E agora José?




Ele chega assim, de repente parece infinito,mas tem dia e hora para terminar. Sim! O intercâmbio.

Quando damos de cara com ele é amor a primeira vista, o coração dispara e todas as emoções e sensações parecem infinitas. Aprendemos, nos descobrimos, amamos, odiamos, vivemos a vida de forma intensa.

Como o amor foi a primeira vista, nos jogamos de cabeça nessa relação com a nova realidade. Realidade? Sim, estávamos lá, tudo foi real, apesar de muitos afirmarem que estávamos vivendo algo fora da realidade e efêmero.

Não nos arrependemos de nada que fizemos! Erros e acertos? Só serviram para nos ensinar que tivemos tempo para distingui-los, e assim perceber o que há de melhor em nós. Tivemos tempo para nos descobrirmos. No Intercâmbio aprendemos a dividir, cozinhar, amar, até mesmo descobrimos hobbies que nunca imaginávamos adotar.

Para quem está vivendo um intercâmbio, a hora de voltar para casa seria quase uma sentença de morte. Por que parece que o regresso matará tudo aquilo que você descobriu ser durante as aventuras em terras estrangeiras. Tenha calma não é o fim! E nada morrerá. Olhe para trás e veja como você cresceu!

Você já ouviu falar na depressão pós-regresso? Pois ela pode acontecer!

Segundo pesquisas é possível se adaptar num país estrangeiro em até 6 meses, mas quando retornamos ao país de origem o processo de readaptação pode durar até 2 anos. A família geralmente pensa que a solução para a depressão pós- regresso é apenas sair e fazer infinitas coisas. Mas quando sua mente fica inteiramente ligada no local onde viveu, algumas atividades no país de origem podem demorar um tempo para ganhar uma ressignificação maior.

Quem nunca ouviu: "Ah você só fala do país fulano de tal". Como se você fosse uma pessoa arrogante e chata. Na verdade tudo isso é natural, assim como fazer infinitas comparações sobre o modo de vida entre os países de origem e estrangeiro.

Por outro lado é normal a família desejar que você pare de falar do Intercâmbio, pois acreditam que é uma maneira de você seguir em frente e viver outras experiências.


Por que sentimos tanta falta da vida lá fora?



Fora do país tudo que acontece é novidade, então sua vida nunca fica na rotina. Todos os dias há possibilidades de conhecer pessoas peculiares, além do clima diferente, comidas, tradições, vocabulário para conhecer e aprender.

A sensação de segurança é muito boa em muitos países da Europa e América do Norte. No dia a dia é possível sair de casa com seu smartphone, notebook, câmera sem pensar na possibilidade de assalto. É possível sacar dinheiro sem ficar muito preocupado se alguém irá abordar. É possível sair a noite ou até mesmo durante a madrugada sem medo para dançar, jantar, ir ao cinema, ir a qualquer lugar.

Há uma sensação de que tudo funciona melhor, transporte público, atendimento médico, a organização social. Há muitos problemas nos países estrangeiros, nem tudo são flores, mas em alguns países é possível usufruir de alguns serviços de maneira satisfatória.

Isso não é a "síndrome do vira-lata"  porque o Brasil tem muitas coisas boas, mas a deficiência em alguns serviços básicos ainda não foi superada. E também isso não significa que o Brasil é um local que não se pode viver bem, mas quando saímos e observamos alguns aspectos dos países estrangeiros gostaríamos que o Brasil tivesse uma qualidade de vida semelhante ou melhor, a final somos filho desse solo.

Como se readaptar?


A readaptação ao país de origem é um momento difícil que demanda tempo, e principalmente um exercício mental para diminuir a carga emocional que leva ao intercambista em regresso a desenvolver o sentimento de perda, frustração, incapacidade, medo.

Primeiramente é preciso não se culpar por sentir que está difícil a readaptação. Deixa as coisas fluírem, pois o tempo é um santo remédio.

Também é preciso recriar raíz na terra de origem, entenda que o passado foi bom, mas tudo passa, tudo tem prazo de validade. E agora seu objetivo será aproveitar as experiências que viveu para conduzir a sua vida por outros caminhos, então continue a estudar, trabalhar, aprender, pois agora você terá uma visão diferenciada sobre muitas coisas.

É importante não esconder a saudade da sua vida fora do país, viva as lembranças, veja fotos, escreva sobre suas experiências, reflita sobre elas. Porém não esqueça do presente para não correr o risco de ficar delirando com o passado. Entenda que esconder os sentimentos aumenta a angústia.

Se possível continue seus hobbies, atividades, trabalhos que começou a desenvolver ao longo do intercâmbio. Se você visitou muitos museus, tire um tempo para conhecer os museus da sua cidade.Você descobriu que adora dançar, invista em aulas de dança.

O ideal é manter a cabeça sempre ocupada, isso significa que diminuirá as chances de alimentar pensamentos de fracasso e medo. Faça novos amigos, visite os antigos, se possível visite aquele amigo brasileiro que você conheceu lá no intercâmbio. Reforce os laços! A afetividade é muito importante.

Entenda que mesmo retornando ao país que fez o intercâmbio, nada será exatamente igual e todas as experiências são únicas e você estará sempre se reinventando.



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Quem escreve

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É brasileira, Baiana de Salvador, Bióloga de formação, decidiu compartilhar suas experiências internacionais e dicas para quem deseja viver fora do país.

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